Os peões constituem o grupo de utentes rodoviários mais vulneráveis, nomeadamente nas faixas etárias das crianças e dos idosos.

Nos documentos publicados pela OMS relativos à segurança dos peões, identificam-se os pontos chave para a execução de uma política global para a redução dos acidentes com peões e das suas consequências:

  1. Reduzir a exposição dos peões ao trânsito motorizado;
  2. Reduzir a velocidade dos veículos,
  3. Melhorar a visibilidade dos peões;
  4. Melhorar a relação entre peões e condutores e o comportamento de ambos;
  5. Melhorar o design dos veículos para protecção dos peões em caso de atropelamento;
  6. Providenciar cuidados de saúde eficazes para os peões vítimas de atropelamento;

É indispensável analisar as características da sinistralidade rodoviária dos peões, em Portugal, para se poderem determinar as acções prioritárias a desenvolver, que proporcionem aumento das condições de segurança para os peões, nomeadamente nas situações de maior risco.

Nos dois últimos anos (2011 e 2012) verificaram-se os seguintes dados:

  1. 16,5% dos acidentes com danos corporais foram atropelamentos, dos quais resultaram 22,1% dos mortos e 19,8% dos feridos graves em acidentes rodoviários.

Acidentes com danos corporais 2011-2012

Ilustração 1- Fonte própria – adaptado ANSR

Daqui se conclui que, em média, cada atropelamento com danos corporais proporciona mais 34% de mortos e mais 20% de feridos graves que a média da totalidade dos acidentes.

  1. 48,0% dos peões mortos e 37,3% dos peões feridos graves resultaram de atropelamentos verificados com deficientes condições de luminosidade (noite ou crepúsculo), sendo que fora das localidades essas percentagens foram espectivamente de 64,8% e 43,9%, e dentro das localidades foram de 43,9% e 35,6%
Peões Vitimas Mortais e Feridos Graves à noite
Ilustração 2 -Fonte própria – adaptado ANSR

Estes dados mostram um claro aumento do risco de acidente grave durante os períodos do dia com deficiente iluminação. Mais claro se torna o enorme aumento do risco de atropelamento grave durante os períodos de redução da visibilidade, quanto verificamos que apenas 28,6% dos acidentes com vítimas ocorrem nesses períodos e deles resultam apenas 28,1% dos peões feridos leves, números muito inferiores aos 38,7% dos peões feridops graves e aos 48,0% dos peões mortos.

A gravidade dos acidentes é consequência directa da velocidade de embate, o que permite concluir que os atropelamentos nocturnos ocorrem com velocidades significativamente superiores aos que ocorrem nos períodos diurnos. Os peões, ao circularem sem serem iluminados são vistos pelos veículos muito mais tarde de noite do que de dia, pelo que a eventual necessidade de travagem, por parte do condutor, só é detectada muito mais trade, o que determina que o risco de atropelamento aumenta significativamente, e o risco do atropelamento ser mais grave, consequência de ocorrer a velocidades mais elevadas também aumenta significativamente.

Na realidade, em estudos onde foram analisados centenas de atropelamentos, concluiu-se que cerca de 1/3 (33%) dos peões atropelados revela dificuldade em ver o veículo que o atingiu, e cerca de 2/5 (40%) dos condutores revela dificuldade em ver o peão que atropelou. E quanto maior for a velocidade praticada, menor é a distância em que o peão é detectado.

 De noite, a visibilidade de um peão só pode ser garantida através de um bom contraste da cor. Tal só se consegue através da utilização de material rectroreflector, por parte do peão.